
O intermodal comigo mesmo prossegue.
Desta vez também resolvi sair de casa rumo ao trabalho.
Só que, em vez de ir de carro, fiz um mix de pedal + trem da CPTM.
Antes, promovi um cadastramento no bicicletário da estação Jaguaré-Villa Lobos.
A coisa toda é muito simples: preenchimento de uma ficha, apresentação de documento com foto e pronto.
A bicicleta precisa estar com cadeado. E não pode ficar mais de três dias estacionada lá.
O horário do bicicletário é o mesmo do da estação de trem.
Depois de deixar a magrela amarrada num gancho subi até a bilheteria.

O horário das agências de propaganda é diferente do horário comercial ortodoxo. Por isso peguei o trem às 9h 15 am.
Não havia muitas filas. Consegui ir sentado no vagão. E fazendo o que no carro seria impossível: lendo "O Bom Soldado" de Ford Madox Ford e ouvindo uma peça de Jacques Ibert no Iphone.
A paisagem e o cheiro do rio Pinheiros não são lá muito convidativos, mas o livro e o som foram um biscoito fino em relação ao automóvel.
Há apenas uma coisa desagradável nos trens da CPTM, que são limpos e contam com ar condicionado: os ambulantes e os celulares.
O "cara do chocolate" ficar berrando "duas barras por dois real" tira a concentração até de estátua.
E a tiazinha explicando à sobrinha como foi seu fim de noite numa casa de pagode também prejudica bastante a leitura de livros modernistas.
No mais é um luxo só.
O automóvel, para relembrar - segundo meu GPS - obteve esses índices no percurso entre minha casa na Vila Leopoldina e o escritório na Berrini.
Tempo: 1:10:47
Velocidade Média: 12,79 km/h
O percurso foi o abaixo:
Já a opção pedal + trem da CPTM comportou-se desse modo:
Tempo: 35:46
Velocidade Média: 18,49 km/h

É visível a supremacia do pedal + trem sobre o automóvel.
E ainda pode-se aprimorar o intelecto. Desde que, com alguma sorte e fones de ouvido, o "cara do chocolate" e a "tiazinha do celular" estejam num dia de decibéis mais contidos.
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