
Em São Paulo, em especial nos Jardins, a preferência na faixa dos pedestres é dos Porsche.
Num país que teve 40 mil mortos no trânsito, apenas em 2010, é preciso urgentemente criar uma consciência inversa a isso também para quem anda de bicicleta.
Um fenômeno semelhante a dos Jardins pude notar no test-drive da ciclovia do Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo.
Especialmente nos finais de semana, quando há muito mais gente disputando o percurso de 3,4 quilômetros.
A preferência é das bicicletas-familiares, que uma empresa loca no parque, e que abrigam em muitos casos mais de quatro pessoas.

Elas atravancam o caminho e, na maior parte das vezes, os seus condutores não têm a menor noção de ética no “trânsito”.
Passam de uma faixa a outra sem olhar para trás, fecham os outros ciclistas e param subitamente sem sinalizar.
No sábado em que fui some-se a isso corredores, caminhadores, patinadores e skatistas motorizados convivendo no mesmo apertado espaço.
Durante os poucos minutos em que pedalei ali cheguei a presenciar o espetacular abalroamento de uma bicicleta com um skate a motor.
As consequências só não foram piores porque o acaso quis colaborar.
Os guardas do parque também dificilmente informam aos que ali fazem jogging de que só é permitido trafegar em veículos de roda.
Durante a semana obviamente fica bem mais tranquilo de circular por ali de bike.
Mas quem tem tempo de ir pedalar, por exemplo, às quatro horas da tarde numa terça-feira em São Paulo?
Eu não tenho. Se você tiver vá que é lazer de alto nível.
A minha visita aconteceu no dia 5.11.2011, às 11h29, e demorei 11 minutos para fazer o circuito inteiro em velocidade média de 18,73 km/h.
A máxima auferida pela minha mountain-bike Peony foi de 23,35 km/h, muito pelo mencionado tráfego.
O aclive mais acentuado da clclovia tem 138 metros, o maior declive 123 metros.
Uma topografia que permite o uso por qualquer mortal.
E que seria ainda mais aprazível se os frequentadores aprendessem mínimos preceitos de ética na circulação. E a guarda do Parque saísse de sua sonolenta paralisia e orientasse melhor a quem por ali deseja um pouco de paz, exercício e contemplação.
Já seria um bom começo para quem quer ver menos mortes no trânsito e mais vida na cidade.
Se você tem alguma experiência sobre pedaladas por ciclovias, mande que compartilhamos.

Recent Comments