
Se for viajar com a família numa estrada verifique se não se esqueceu de licenciar seu carro.
Tive um lapso de memória, não liquidei a fatura e me dei mal.
O pagamento estava bem atrasado, confesso.
Devia ter pago em julho de 2011.
Mas desafortunadamente nesse mês abalroaram meu carro e mudei-me de casa.
Praticamente apagou-se do meu hardisk que deveria licenciar um veículo que estava fora de minha garagem há 40 dias.
Mea-culpa.
Então peguei a Anhanguera inocentemente e fui parado pelo radar inteligente da Polícia Rodoviária Federal de Santa Rita do Passa Quatro.
Passa quatro, mas não passaram os quatro que estavam comigo: minha mulher, dois filhos, a namorada de um deles e eu.
Depois de olhar os documentos, o guarda me deu o veredito:
- Tire todas as malas. O carro vai para o pátio da Polícia Rodoviária.
Assumi o fato na hora. E perguntei:
- Como faço para pagar o que devo? Acerto agora.
O policial me informou que só na segunda-feira, num Poupatempo de Ribeirão Preto.
Estávamos num sábado a 60 quilômetros do nosso destino. E um dos meus filhos tem sete anos de idade.
Perguntei-me: “como podem estar me exigindo isso se estou me dispondo a quitar tudo. Se querem ser tão inflexíveis com o pagamento deviam ter uma máquina de débito no posto policial ou aceitar cheques”.
Decidi me calar para evitar uma prisão por desacato à autoridade.
Mea maxima culpa.
No meio da estrada sob um sol de 40 graus, olhei para os meus sentados sobre uma mureta da rodovia, mosquitos à sua volta.
Outros cinco ou seis carros parados no acostamento pelo mesmo motivo: licenciamento atrasado.
Pessoas deambulando perigosamente à beira da pista, falando preocupadas ao celular, cachorros em coleiras, a garotada treinando um futebolzinho.

Todos retidos ali e sem poder pagar o que deviam.
Indaguei aos homens da lei sobre como chegaríamos até Ribeirão Preto.
- Peguem um ônibus. Só que eles não param na estrada. Vocês tem que voltar até a cidade mais próxima.
- Não há um outro meio? – quis saber, já me desesperando.
- Táxi – tem uma lista com nome e telefone dos motoristas lá dentro.
Vendo minha família ao relento, os balaios todos no chão, não tive dúvida.
Liguei para um dos taxistas “amigos” dos policiais rodoviários.
Minutos depois chegou um deles.
- São 220 reais até Ribeirão – afirmou muito seguro de si.
E tinha de estar confiante mesmo.
Não havia outra alternativa a não ser aceitar a sua corrida com o quilômetro mais caro que o de uma viagem espacial.
Andar 60 quilômetros era até razoável perto de um rapaz que, com os filhos menores que o meu, teve que ir dali até Uberaba, sabe-se Deus como.
Fomos então apertadíssimos em meio à bagagem de cinco pessoas num Gol até nosso destino.
O que, aliás, fere as leis de trânsito federais.
Mas isso os guardas não viram. Por que será?
O automóvel foi liberado dias depois com o pagamento de guincho e estadia a preços também nada confortáveis.
Mea-culpa, mea-culpa, mil vezes mea maxima culpa.
Esqueci-me de pagar o que deveria ter pago.
Mas essa severidade da lei existe também para quem assalta, trafica, estupra e corrompe?
Parece que não.
Então anote bem grande na sua agenda: pagar o licenciamento do carro antes de pegar uma estrada com a família.
Ou adote a bicicleta como meio de transporte do dia-a-dia.
E, ao viajar, vá de trem, ônibus, barco ou avião.
De táxi só se for imprescindível.
Especialmente em Santa Rita do Passa Quatro.
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