
“Sexo é bom até quando é mal feito” - diz o dito popular. O mesmo pode se aplicar ao ato de pedalar.
Mesmo num dia como o meu de ontem, domingo, vale a pena tirar a bicicleta da garagem e sair por aí.
Tive um sábado puxado.
Comecei fazendo a minha pedalada padrão no Parque Villa Lobos, o mais à mão para a prática ciclística.
A tarde foi dedicada a resoluções burocráticas.
Depois fui ao restaurante do meu amigo Pasquale, na Vila Madalena, onde apreciamos um autêntico Primitivo de Mandúria que bateu forte.
Vinho saborosíssimo, mas não foi de todo fácil acordar pela manhã e sair ao sol.
O corpo pedia cama.
Mas lá fui eu rumo à ciclofaixa.
Vendo as pessoas que enviam colaborações para o Cycletherapy noto que os ciclistas são muito heterogêneos.
Há o cicloativista, o cicloturista, o ciclo-ocasional, o infantociclista e um sem-número de outras categorias.
Este espaço é aberto a todo e qualquer tipo de pessoa que usa a bicicleta para se locomover.
Mas eu preciso dizer que o meu padrão é o slow-biker.
Não sou da Bahia, muito menos conhecedor da obra de Dorival Caymmi.
Mas a preguiça me tenta sempre.
E, como o Padre Sérgio, de Tolstói, preciso pegar uma machadinha e combatê-la para não cair na tentação de deixar de me mexer sobre a magrela - no sentido bíblico.
Minha Peony, aliás, não tem nada de especial. É uma moutain bike de concepção antiga, talvez de 2000 ou ainda mais velha.
Contudo, para um legítimo slow-biker como eu, o importante é estar sempre bicicletando.
Não importa se num parque, na ciclofaixa ao lado de casa ou, se houver oportunidade, numa estrada no interior da Irlanda.
O que manda é o movimento sobre as duas rodas, não a competição.
E, de preferência, ouvindo um som no ipod enquanto a paisagem se apresenta aos poucos e em seus pequenos e singulares detalhes.

Para ajudar nessa fruição criei um playlist relacionado ao que escuto quando pedalo.
Em realidade é uma pequena demo de playlist.
O ritmo: gipsy jazz.
Para meu gosto, é um dos favoritos para se ouvir pedalando ou não.
Coloco aqui três exemplos desse swing cigano que abastece o meu tocador de mp3.
What a Difference a Day Made
A primeira é uma levada do Tchavolo Schmitt Quintet que harmoniza muito bem com parques e dias de sol.
Depois, na mesma linha, selecionei Montagne Sainte Geneviève com Ludovic Beier.
Montagne saint genevieve
E, para lhe dar ainda mais ânimo de pedalar com música, vai aí uma muito charmosa, chamada Pizzicato Blues, com um dos melhores ciganos da guitarra, o genial Romane.
Download Pizzicato Blues
Prometo postar depois mais sugestões musicais para os mais diversos estados de espírito em duas rodas.
Mantenha-se sobre o selim.
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