Quando criança, tive duas experiências marcantes com bicicletas e que facilmente poderiam ter causado um grande trauma.
Curiosamente, as duas ocasiões estão relacionadas ao freio da magrela: a primeira foi um capotamento ao tentar parar a bike numa descida sem apertar os freios e sim jogando-a contra a sarjeta.
O resultado?
Mais de 90 decibéis de choro estridente e apenas alguns arranhões - os ossos continuaram intactos. A segunda experiência nada agradável, pasme, aconteceu com uma bicicleta parada.
Explico: numa brincadeira de esconde-esconde, decidi subir numa goiabeira para despistar meus coleguinhas. A esperteza não me deixou em vantagem por muito tempo – escorreguei e caí da árvore sobre uma berlineta estacionada logo embaixo.
Por falta de sorte, caí bem em cima do guidão, mais especificamente com a perna espetada no freio.
Muito choro e cinco pontos depois, continuei me aventurando nos veículos de duas rodas, caindo algumas vezes, mas nenhum acidente grave.
Agora, medo mesmo de andar de bike eu tive recentemente, quando decidi ir para o trabalho de um jeito ecologicamente correto e mais saudável.
Saí da Vila Leopoldina em direção a Perdizes – um trajeto de menos de 7 quilômetros, mas carregado de adrenalina.
As surpresas vão dos buracos no asfalto até a constante falta de respeito dos motoristas, que jogam os carros em cima da bike, fazendo questão de mostrar que rua não é lugar de bicicleta.
E olha que optei por vias mais tranquilas, cortando por dentro dos bairros onde o trânsito é bem sossegado.
Com medo, acabei indo a maior parte do trajeto pelas calçadas, atenta aos pedestres, obviamente.
Depois dessa, voltei a freqüentar a academia e a usar meu carro todos os dias, mas sonho com o dia em que vou poder por em prática novamente esse projeto tão simples que é usar mais a bicicleta para me locomover em São Paulo.
(SIMONI BOIATI, SÃO PAULO - SP)
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